quinta-feira, 7 de junho de 2012

Ausente

Como se morto estivera

ou como quem ainda não nascera;

como se da voz lhe tivessem

extraído todo o som;

os ouvidos, são duas portas cerradas

por onde nem voz, nem sim, nem não

encontram passagem;

e seus olhos como se não vissem

outra coisa além da escuridão,

assim é aquele a quem me dirijo

É este para quem verso:

o que habita a espessa bruma

do longínquo Quando

Por isso não sei se ausente

ou se já a alma não lhe é presente,

pois o corpo jaz inerte

na finitude do Agora

De verso – inverso,

pois desconhece destinatário

e para mim retorna –

faço este caminho

Enquanto minha oração ecoa

no Céu e revolve o Seol

Assim cheguei ao limiar do Abismo

e até que seja Dia perfeito

espero Aquele que tem nas mãos

as chaves da Morte e do Inferno

Este, que das portas, apenas sussurra

e das sombras surge um nome

É O que me apresentará a ti

quando meus versos

não baterem mais contra as paredes

da dura Espera



terça-feira, 5 de junho de 2012

Dever de Casa

Aos casados, eu recomendo o exercício do verbo SER:
Ser| Estar | Permanecer | Ficar;
Aos solitários, recomendo que flexionem o verbo PROCURAR,
juntamente com ESPERAR e ENCONTRAR, na mesma oração;
E, para todos os que encontraram,
recomendo o exercício do verbo AMAR em todos os tempos!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Dádiva

Vem da minha infância
Essa mania de fazer de conta
Vêm de lá minha alegria, meu riso
E também meu choro
Tudo isso cresceu comigo
E até minha tristeza,
que hoje tem outro nome,
eu trouxe comigo de lá
Vem da minha juventude
Essa mania de me apaixonar
E de acreditar
Vêm de lá todos os meus sonhos,
meus desencontros
e também todo o encanto
O riso largo depois da dor do parto
Tudo isso eu trouxe comigo
desse lugar que só eu conheci
Eu trouxe só para repartir
Tudo o que vem de lá
E dinheiro nenhum compra