Acaso não te deste conta ainda
de que prezo a impossibilidade?
Prezo-a diuturnamente, pois
Por isso tenho esses passos errantes
Então, não me instes para que eu não fuja
Porque enquanto houver céu,
terra e a vastidão das florestas
tudo isso será território meu
E, bem comigo, meu amigo:
isso não é fugir
Nem lindes, nem grades
E, em havendo limites,
é onde minha alma transgride
Só o vento a rugir, só o vento
E eu nas pradarias, a correr
A correr...E o coração
O coração trago suspenso,
envolto desse horizonte
onde tudo fica indefinidamente longe
E é justamente esse hiato,
o hiato existente entre o querer e o realizar
próprios das faculdades humanas
(e que em ti se torna pessoa)
que me motiva a querer-te mais
Por isso é que sempre volto
ao mesmo lugar, sequiosa
Então, que me vejas e não me vejas
Que me suponhas entre o salto
e um fio de lua
Dois olhos de leoa, eu
Tua.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Da chama aos estertores: a senda do peregrino equivocado
Debruçar-te-ás sobre as tumbas
dos gigantes iluminados
cujos antepassados num ímpeto
de vanglória
fundaram a portentosa Babel
Indagar-te-ás por entre as sombras
e responder-te-ão os desencarnados
cujos espíritos, banidos do firmamento,
retorcem-se à penúria
por terem, na origem, subvertido seu papel
Então, alimentar-te-ás do néctar das obras
e do pão malignos, bem paramentados
cuja morte certa será o teu merecimento
ainda que te conforte a luxúria
Trazem para ti os que sobem do abismo com teu mel
Assim que não verás que tombas
E do teu sangue já embriagados
põem-se a rir do teu tormento
e a apagar da Terra a tua memória
Os que te desviaram do eterno Céu
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