Acaso não te deste conta ainda
de que prezo a impossibilidade?
Prezo-a diuturnamente, pois
Por isso tenho esses passos errantes
Então, não me instes para que eu não fuja
Porque enquanto houver céu,
terra e a vastidão das florestas
tudo isso será território meu
E, bem comigo, meu amigo:
isso não é fugir
Nem lindes, nem grades
E, em havendo limites,
é onde minha alma transgride
Só o vento a rugir, só o vento
E eu nas pradarias, a correr
A correr...E o coração
O coração trago suspenso,
envolto desse horizonte
onde tudo fica indefinidamente longe
E é justamente esse hiato,
o hiato existente entre o querer e o realizar
próprios das faculdades humanas
(e que em ti se torna pessoa)
que me motiva a querer-te mais
Por isso é que sempre volto
ao mesmo lugar, sequiosa
Então, que me vejas e não me vejas
Que me suponhas entre o salto
e um fio de lua
Dois olhos de leoa, eu
Tua.
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terça-feira, 10 de dezembro de 2013
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