Suposta Mente quem te desenhou
quem contornou tua alma
depois de preencher teu espírito
te recobriu desse tecido epitelial
que te faz único entre os demais
e que, demasiadamente, me atrai
Assim, que diante do encontro acidental
que nos projeta à mútua semelhança
ao mesmo tempo em que revela-te a fratura
expoe-me em carne e osso
Transmutando-nos diante da surpresa
Daí o me chamares varoa
Sublime correspondência essa
Como se parte de ti eu fora
De ti, outrora tomada e para ti destinada
Pelo que temo que não passes
tanto mais que o sentido figurado
de tudo aquilo quanto anelo
E, ainda que eu pondere a respeito,
É chegada a hora em que nos reconheceremos de fato
Quando haverá de se calar cada centímetro teu, que grita
ao me ouvir anunciar, assim, calada
que és bem-vindo em todo tempo
Porque és, inexoravelmente, a parte que me falta